Skol Beats 2006 – Festival quase redondo (por Josley B.)
Com o titulo de maior evento do mundo em área, um line up bem eclético e o um novo recorde de público, o Skol Beats 2006 não desceu muito redondo para uma boa parte das 59.500 pessoas que compareceram ao complexo do Anhembi no último sábado. Começando pelos convites que se esgotaram na sexta-feira. Muitas pessoas que deixaram pra comprar o convite na portaria tiveram que se virar nas mãos dos cambistas ao preço médio de R$ 200,00 (antecipado era R$ 70,00).
O show do Prodigy foi o ápice do evento e do caos promovido pelo atraso de quase uma hora para o inicio da apresentação, e também pelo espaço em frente ao palco que ficou pequeno. O empurra empurra começou 30 minutos antes e se intensificou muito mais quando Prodigy deu inicio ao show com seu hit “Breathe”. Em seguida tocaram “Firestarter”, só piorando a cena de caos. Perdi a paciência e voltei para o local das tendas, sendo quase esmagado no caminho junto com meus amigos no meio da muvuca toda. Saímos ilesos, mas muitas pessoas se machucaram no meio de brigas, confusões, roubos e um enorme arrastão na saída do Live Stage.
A esta altura filas enormes se formavam em torno dos banheiros, e quem estava muito apertado foi fazer no “cantinho” mesmo. Até mesmo as garotas transformaram as cercas e paredes do Anhembi em WC. Será que com cerveja e água sendo vendidas a R$ 2,00 a organização não previu que os banheiros espalhados pelo evento seriam pouco para 60.000 pessoas ???
No site oficial colocaram que não ouve incidentes graves. Mas 520 atendimentos médicos, 50 boletins de ocorrências policiais e gente usando paredes como banheiro por toda parte é demais para o publico de música eletrônica que não esta acostumado com tamanha confusão. Em todas as edições do Skol Beats nunca foi visto tamanho tumulto e caos.
Sobre a tenda Marky & Friends não ouvi nem um DJ em particular, mas posso garantir que foi a tenda mais animada do Skol Beats. Todas as vezes que eu passava por ela, seja pra comprar bebida ou ir ao banheiro, estava sempre lotada e com a galera dançando e pulando muuuuuito.
O sound system das tendas melhorou e o som do Live Stage estava ótimo. Nos bares não haviam muitas filas para comprar bebida. E o resto do evento seguiu normalmente com as tendas lotadas na maior parte do tempo, terminando as 9:50hs da manhã de domingo com o back to back dos DJs Mau Mau e Anderson Noise
Mas apesar de tudo tivemos bons momentos no “maior evento de música eletrônica do mundo”. Abaixo segue um resumo de todas as atrações que vi, e algumas opiniões foram descritas com ajuda de amigos que estavam na mega balada:
- 17hs - DJ Hopper (Brasília) – Com muito carisma e boa técnica Hopper fez um competente set de Electro House, aquecendo a galera no fim de tarde na tenda The End.
- 19hs - DJ Aninha (Camburiu) – Neste horário a tenda The End já contava com um bom público e a DJ não deixou por menos e fez um ótimo set misturando Minimal Techno e Electro House, sem tocar muitos hits. Apesar de um pequeno problema no som no inicio, Aninha demonstrou por que é a grande promessa do sul e manteve a pista animada até o fim, sendo muito aplaudida por fãs e amigos da DJ.
- 20hs - DJ Martin Solveig (França) – Ouvi pouco do DJ, mas amigos meus que ouviram o set inteiro disseram que a apresentação foi incrível. Solveig tocou muito mais que House francês. Misturou Electro House com Progressive, e bombou com hits como "What Else is There", do Royksopp, e "Song 2", do Blur. Além de seu mega hit “Everybody”, cantado por todos no final do set.
- 20hs – The Bays (Live PA) (Inglaterra) – A banda formada por Andy Gangadeen (baterista), Chris Taylor (baixista), Jamie Odell (tecladista) e Simon Richmond (nos efeitos e laptops) mostrou porque vem chamando tanta atenção em todos os seus shows, fazendo sempre uma performance diferente a cada apresentação. Vale lembrar que a banda não tem nenhuma musica lançada em single ou cd, e só é possível achar seus shows na internet. A apresentação no Skol Beats foi perfeita, com os músicos fazendo uma salada sonona entre House, Ambient, Breakbeat e Drum’n’Bass. Tudo em perfeita harmonia e sem parar um só instante, durante uma hora. O destaque ficou para os samples de vocais, muito bem colocados sobre as bases durante o show.
- 21hs – DJ Tiga (Canadá) – Como um dos grandes nomes do evento, Tiga iniciou com uma música bem suja, que repetia seu nome varias vezes, sendo muito aplaudido pelo público, que nesta hora já lotava a tenda The End. O que se viu durante todo o set foi uma seqüência de hits e gritaria. O DJ tocou "What Else is There", do Royksopp, duas vezes seguida, "Washing Up”, de Thomas Anderson, e bombou com um bootleg incrível de “Zdarlight”, do Digitalism, com “Shout” do Tears For Fears, fazendo a galera ir ao delírio. O DJ e produtor foi muito aplaudido ao fim do set, sendo um dos grande momentos da noite.
- 23:30hs – Steve Ângelo (Suécia) – Foi previsível no seu set, mas mesmo assim animou e muito a lotada tenda DJ Magazine. Tocou todos os hits e remixes de Electro House do momento. O destaque ficou novamente para "What Else is There", do Royksopp que ao que parace foi o hit do Skol Beats 2006.
- 01:50hs – Prodigy (Inglaterra) – Com um mega atraso o grupo fez o esperado, um show bem no estilo Prodigy. Punk eletrônico do começo ao fim, provocando emoção nos velhos clubers, e histeria nos cyber manos. “Breathe”, “Poison”, “Their Law”, “Voodoo People”, “No Good” “Smack My Bitch Up” e “Out of Space” foram os hits que empolgaram a galera saudosista que se espremia e se acotovelava para ver o show.
- 02:30 – Sven Vath (Alemanha) – Depois do tumultuado show do Prodigy fui ver o set do DJ mais festeiro que eu já vi. O cara é animação pura, sempre interagindo com a galera e fazendo dancinhas engraçadas. Foram 3 horas de grooves viajantes, passando pelo Minimal, Electro, Techno e o Neo Trance. Pra quem não conhece muito o trabalho do DJ Sven Vath vale a pena procurar seus sets na internet, pois ele é um dos criadores do Trance e o DJ mais vanguardista que já ouvi.
- 05:30 – Plump DJs (Inglaterra) – A área do Live Stage não estava muito cheia nesta hora, porque fazia muito frio e eles não são muito conhecidos por aqui. Mesmo assim a dupla Lee Rous e Andy Gardner fez o sol nascer com suas batidas quebradas e sub-graves do tipo treme terra, fazendo a galera esquentar e rebolar muito. O set foi um mix de Electro, House, Drum’n’Bass, Funk e Bootlegs. Com um final apoteótico de “I Feel Love”, de Donna Summmer, com versão do próprio Plump DJs.
- 06:30 - Renato Cohen - Live PA (São Paulo) – Ouvi apenas os primeiros 15 minutos do live do Cohen, mas foi o suficiente pra ver porque ele é o nosso maior representante de Techno no exterior. Com uma introdução digna de verdadeiro TOP produtor, ele mostrou em poucos minutos o que é um verdadeiro Techno.
- 07:00 – Murphy (São Paulo) – Após o chato set da DJ Mistress Bárbara, alguns minutos de pausa para preparar as pick-ups para nosso lenhador. Murphy começou com uma introdução cheia de efeitos e na seqüência uma avalanche de grooves. Grooves gordos e acelerados o suficiente pra ninguém mais ficar parado. Scratchs, Back Spins, Back to Backs, e tome lenha. Simplismente duca... Confesso que não sou o maior fã de Techno pesado, mas no caso do “negão lenhador” eu abro todas as exceções.
- 08:30 - Mau Mau x Anderson Noise (São Paulo/Belo Horizonte) – A organização até esperava um “grand finalle”, mas acho que só eles. Muitos na cena brasileira não acreditavam muito no back to back inusitado. Top DJs sim, mas cada um na sua. Mau Mau é sempre Mau Mau né. Perfeito nas mixagens e na escolha das músicas. Já o Anderson Noise...Estava lá...Tocando seu “Techno Noise”. O final foi ás 09:50 sem muitos aplausos. Definitivamente o melhor encerramento do Skol Beats foi o de 2001, no Autódromo, com Mau Mau no comando fazendo a galera levantar um poerão danado.
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